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Treino e genética

Por que a gordura da barriga não sai com treino?

Você treina, come com critério e a barriga continua lá. Este guia explica o que a genética, o tipo de gordura e a idade têm a ver com isso, e quando faz sentido conversar sobre cirurgia.

Dr. Flávio Quinalha · publicado em · 5 min de leitura

Na live com o público dele, o Dr. Flávio Quinalha leu as respostas de um formulário sobre o que mais incomodava os participantes. A primeira da lista foi “gordura abdominal que não sai com treino”. Ele chamou de “a campeã”.

É uma queixa comum entre homens que já fazem quase tudo certo. Este guia explica por que isso acontece, sem tirar o mérito do treino.

Por que a barriga é a última a sair no homem?

Homens e mulheres guardam gordura em lugares diferentes. Revisões sobre o tema mostram que o homem tende a acumular mais gordura no abdômen, tanto embaixo da pele quanto dentro da cavidade abdominal, enquanto a mulher tende a acumular mais no quadril e nas coxas (Karastergiou e colaboradores, Biology of Sex Differences, 2012).

Na prática do consultório, o que se observa com frequência é que o abdômen e os flancos são os primeiros lugares onde a gordura chega e os últimos de onde ela sai. Muitos homens percebem o rosto, os braços e o peito afinarem antes de qualquer mudança na barriga.

A genética pesa tanto assim?

Pesa. O doutor usa uma comparação do esporte para explicar.

“Vocês já viram um corredor de maratona? (…) ou um corredor de sprint de cem metros. São genéticas diferentes. São genéticas de corpo diferente.”, diz o Dr. Flávio Quinalha.

Dois homens com o mesmo treino e a mesma dieta podem ter corpos diferentes. Um ganha massa com facilidade e marca o abdômen cedo. O outro precisa de um nível de restrição muito alto para chegar perto disso.

Segundo o doutor, para alguns homens a barriga só sai com “uma alimentação restritiva e chata” e com um ritmo de treino “que às vezes é incompatível com o dia a dia”. Para quem trabalha, cuida da família e tem a própria rotina, esse nível nem sempre se sustenta por muito tempo.

Gordura de dentro ou gordura de fora: qual é a sua?

A barriga do homem pode ter dois tipos de gordura, e a diferença muda a conversa toda.

Gordura subcutâneaGordura visceral
Onde ficaEmbaixo da pele, por cima do músculoDentro do abdômen, em volta dos órgãos
Como costuma ser ao toqueDá para pegar com os dedosBarriga firme, projetada para frente
O que reduzEmagrecimento do corpo todo; em casos selecionados, cirurgiaAlimentação, atividade física, sono e acompanhamento clínico
A lipoaspiração trata?Sim, quando há indicaçãoNão. A cânula trabalha por fora do músculo

A gordura visceral tem relação com saúde metabólica. Já a lipoaspiração retira gordura subcutânea. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine avaliou pacientes com obesidade, todas mulheres, submetidas a lipoaspiração abdominal de grande volume e não encontrou melhora na ação da insulina nem nos fatores de risco cardiovascular (Klein e colaboradores, 2004).

A leitura prática para o homem: a lipoaspiração não serve para tratar barriga de origem visceral nem para melhorar exame de sangue. Ela trabalha contorno.

Fazer mais abdominal resolve?

Treinar o abdômen fortalece o músculo, e isso tem valor. Mas o corpo não tira gordura de onde o músculo está sendo trabalhado. Ele reduz gordura no corpo inteiro, na ordem que a genética definiu.

Por isso, o homem que já treina bem raramente precisa de mais abdominal. Quando ainda há margem, ela costuma estar na alimentação, no sono e na constância. Quando já não há, vale entender o que está embaixo da pele.

E a quantidade de células de gordura?

Um estudo publicado na Nature mostrou que o número de células de gordura de um adulto se mantém relativamente estável ao longo da vida. Quando a pessoa emagrece, as células diminuem de tamanho, mas continuam lá (Spalding e colaboradores, 2008).

O estudo não avaliou lipoaspiração nem regiões do corpo. Ele ajuda a entender por que emagrecer reduz o tamanho das células sem eliminá-las. Na lipoaspiração, as células retiradas não voltam, e as que ficaram ainda podem crescer.

Quando a cirurgia entra na conversa?

A cirurgia não substitui o treino nem é forma de emagrecer. Ela costuma ser considerada quando três coisas se encontram:

  1. Peso estável. O homem já chegou perto do peso que consegue manter.
  2. Gordura localizada embaixo da pele. Abdômen, flancos, peitoral ou costas, que não acompanham o resto do corpo.
  3. Pele com boa elasticidade. Quando sobra pele, outro procedimento pode ser mais adequado.

O doutor costuma dizer que a gordura é matéria-prima. Para quem está muito magro e mesmo assim não define, às vezes a orientação é ganhar um pouco de gordura antes, porque deixar fino demais tem limite.

A lipoaspiração de alta definição, que trabalha o contorno de acordo com a anatomia do homem, é explicada na página da lipo HD masculina.

Treinar continua valendo a pena?

Sim, e muito. Músculo trabalhado é o que aparece quando a gordura de cima diminui. Depois de uma cirurgia, é o treino e a alimentação que sustentam o que foi feito.

O doutor fala em “mão de duas vias”: a cirurgia faz uma parte, o paciente faz a outra. Sem a parte do paciente, a gordura que ficou pode voltar a crescer.

E depois dos 50?

Com a idade, a pele perde elasticidade, a massa muscular cai com mais facilidade e manter fica mais trabalhoso. O doutor reconhece que, depois dos 50, a manutenção “fica mais difícil”.

Isso não exclui ninguém por idade. Muda o planejamento: preparo antes, expectativa conversada com franqueza e acompanhamento depois.

Quando procurar avaliação

Faz sentido conversar com um cirurgião plástico quando:

  • Você mantém o peso há alguns meses, treina e se alimenta com critério.
  • A gordura do abdômen ou dos flancos não acompanha o resto do corpo.
  • Você quer entender se o seu caso é de gordura embaixo da pele, de gordura visceral ou de pele.

Essa resposta não sai de foto. Sai do exame. No Plan Day, o Dr. Flávio avalia o corpo inteiro, mede, explica o que é possível e o que não é, e traça o plano. Se a cirurgia não for o caminho, você sai sabendo disso também.

Fontes

  1. Karastergiou K et al. Sex differences in human adipose tissues. Biol Sex Differ, 2012
  2. Spalding KL et al. Dynamics of fat cell turnover in humans. Nature, 2008
  3. Klein S et al. Absence of an effect of liposuction on insulin action and risk factors for coronary heart disease. N Engl J Med, 2004

Perguntas frequentes

Fazer abdominal queima a gordura da barriga?

Abdominal fortalece o músculo, mas não escolhe de onde o corpo tira gordura. A redução de gordura acontece no corpo inteiro, na ordem que a sua genética define.

A lipo resolve barriga dura e estufada?

Nem sempre. Barriga firme e projetada para frente costuma ter muita gordura visceral, que fica dentro do abdômen, atrás do músculo. A lipoaspiração trata a gordura que fica embaixo da pele. Qual é o seu caso se define no exame.

Se eu operar, posso parar de treinar?

Não. A célula retirada não volta, mas as que ficaram podem crescer. Treino e alimentação continuam sendo a base para manter o que a cirurgia trabalhou.

Depois dos 50 ainda vale a pena?

Idade sozinha não exclui ninguém. Com o tempo, a pele perde elasticidade e manter fica mais trabalhoso, então o planejamento leva isso em conta. A resposta sai da avaliação, caso a caso.

Dr. Flávio Quinalha
Conteúdo médico de Dr. Flávio Quinalha Cirurgião plástico · CRM-SP 103.485 · RQE 42194